Doença que no passado era acometida nos adultos, hoje pode se manifestar na infância e nem sempre está relacionada com a obesidade.

Luca da Silva tem apenas 6 anos, está com o peso e a altura ideais para a sua faixa etária, mas após um exame de sangue de rotina solicitado pelo pediatra, veio a notíticia bombástica para a família: o menino sofre de colesterol, um tipo de gordura que está presente naturalmente no corpo humano. Entretanto, quando o colesterol se encontra muito elevado pode causar entupimento das paredes dos vasos sanguíneos arteriais, tornando-se fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

As pediatras Carla Ferreira e Samantha Vollet, da clínica médica Casa Infância, explicam sobre a doença e alertam que alimentação saudável e a prática de atividades físicas podem ajudar a diminuir ou até mesmo evitar o problema.

Foi o caso de Luca. A mãe do menino, Isabel da Silva parou de comprar bolchas recheadas. Doces e outras guloseimas só podem ser consumidos no final de semana e com quantidade limitada. Frutas, verduras e legumes fazem parte de todas as refeições. Além disso, o menino também passou a fazer uma atividade física duas vezes por semana.

 

O que é colesterol?

Dra. Carla Ferreira: “O colesterol é um tipo de lipídeo (ou gordura) que o organismo usa para produzir hormônios, vitamina D e substâncias que auxiliam na digestão. O corpo humano fabrica todo o colesterol de que precisa. Essa tarefa é desempenhada pelo fígado. O colesterol que é ingerido através de alguns alimentos (como ovos, carnes e derivados do leite) é considerado como fonte extra e, quando o colesterol está bem elevado, ele pode trazer sérias conseqüências para a saúde”.

 

Muitas pessoas acham que o colesterol infantil está ligado ao excesso de peso, mas isso nem sempre é verdade, correto? Há crianças que estão com o peso normal, mas que estão no limítrofe do colesterol. A que se deve isso?

Dra. Samantha Vollet: “A dislipidemia infantil está diretamente associada ao desenvolvimento de doença cardiovascular na idade adulta, juntamente com hipertensão arterial e obesidade. No Brasil, essas são as doenças que constituem principal causa de morbimortalidade no adulto. Daí está a importância de um diagnostico ainda na vida escolar.

Por ocorrer normalmente sem sintoma algum, está na rotina do seguimento da criança com o Pediatra a coleta do perfil lipídico.

Hábitos alimentares não saudáveis e uma vida sedentária são os principais fatores de risco para dislipidemia infantil. Existem também fatores genéticos associados, assim como presença de alguma doença de base ou uso de algum medicamento a longo prazo. A obesidade, portanto, é apenas um dos potenciais fatores que podem influir na alteração do colesterol, mas não é um fator mandatório”.

 

Quais são os maiores vilões na alimentação infantil e que podem levar ao colesterol?

Dra. Carla Ferreira: “A gordura saturada é sempre o maior vilão na alimentação infantil. Ela é normalmente encontrada em produtos de origem animal, como leite integral, creme de leite, chantilly, manteiga, queijos gordurosos. Também se incluem doces, chocolates, sorvetes e cremes.

Para reduzir a ingestão de colesterol, deve-se diminuir o consumo de alimentos de origem animal, em especial as vísceras, leite integral e seus derivados, queijos, embutidos, frios, pele de aves e frutos do mar, banha, bacon, toucinho, gordura das carnes, pele das aves e dos peixes”.

 

O colesterol não apresenta sintomas. Nesse caso, que sinais os pais devem ficar atentos e conversar com o pediatra para solicitar um exame?

Dra. Samantha Vollet: “Realmente, os principais fatores a serem observados devem ser o histórico familiar, má alimentação, sedentarismo, obesidade, pressão alta, doenças preexistentes e o uso prolongado de medicamentos. A necessidade da solicitação de exames específicos pode surgir após a observação desses fatores e a avaliação pediátrica”.

 

Que alimentos a criança deve ingerir para tentar diminuir ou evitar o colesterol?

Dra. Carla Ferreira: “A indicação para um melhor gerenciamento do colesterol é aumentar a ingestão de alimentos de origem vegetal e antioxidantes (cereja, amora, uva, morango, grãos, sementes, bebidas derivadas da uva)”.

 

Como costuma ser o tratamento para crianças?

Dra. Samantha Vollet: “O tratamento para crianças não difere substancialmente do tratamento básico para adultos : adoção de hábitos alimentares saudáveis e atividade física regular”.

 

Algumas indicações específicas para crianças :

Diminuir o número de horas em frente a TV, videogames e computador;

Estimular a participação em atividades físicas e esportivas, aumentando o número de aulas de educação física e oportunidades para a realização de atividades físicas ;

Oferecer alimentos mais saudáveis nas merendas e cantinas escolares.

 

Dra. Carla Ferreira:  Essas são estratégias importantes que conduzem a um melhor estado de saúde não apenas na infância, mas no decorrer da vida do indivíduo, podendo prevenir problemas futuros”.

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